Curitiba. Julho. Inverno. Museu Oscar Niemeyer. Exposição "Dores da Colômbia" de Botero. O lugar seria frio, opaco, sem vida, se não fosse por um detalhe: há quadros de Fernando Botero, pintor e escultor colombiano, espalhados pelas paredes. As obras lembram as pinturas que ele fez sobre Abu Graib, mas aqui, percebe-se que ao invés de denunciar as torturas sofridas pelos iraquianos pelos soldados americanos, Botero prefere ser mais irascível e contundente, ao denunciar a violência sofrida pelo povo colombiano. É preciso ter cojones para fazer esta denúncia, e Botero tem de sobra. Ele tem coragem de expor (literalmente) uma Colômbia marcada pela violência e dor. As vísceras estão ali, para quem quiser ver e notar. São imagens com cores quentes, que mesmo num inverno rigoroso, conseguem esquentar qualquer espectador. Estão expostas ali, mortes, sequestros, torturas, dores, sofrimentos, lágrimas...
Botero é daqueles artistas que não precisam assinar a obra, as linhas, os traços, as formas -principalmente as formas - neste caso, já denunciam quem é o autor. Seu estilo é inconfundível e único...eu diria até, é "Boteriano". (Marco Antonio, professor, Guaíra -PR)
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